Já imaginou um hospital sem médico? Ou uma oficina sem mecânico? E uma escola sem professor? Da mesma forma, seria impensável uma farmácia sem farmacêutico. Esses profissionais desempenham um papel crucial na rotina das farmácias brasileiras e também na saúde pública de forma geral. Muito mais do que “vendedores de medicamentos”, os farmacêuticos são fundamentais para orientar sobre o uso seguro e eficaz dos remédios.
Eles garantem que os pacientes recebam os tratamentos adequados, ajudando a evitar erros de medicação, interações perigosas e reações adversas.
Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFM), o Brasil tem hoje mais de 400 mil farmacêuticos em atividade. A profissão também está entre as que oferecem maior empregabilidade no país: quase 81% dos formados já entram no mercado de trabalho logo após a graduação. E não é pra menos – são quase 100 mil unidades farmacêuticas espalhadas pelo Brasil, atendendo a 99% das cidades brasileiras, conforme dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Um desses profissionais é Gabriel Oliveira Freitas. Ele atua no setor há 17 anos, e se formou há nove, pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Com a experiência que possui, ele sabe bem como o conhecimento técnico faz diferença no dia a dia. “O acompanhamento do farmacêutico é imprescindível na dispensação de medicamentos, pois a população não tem o conhecimento necessário para usar remédios sem orientação e acompanhamento”, destaca.

A automedicação é um ponto que preocupa Gabriel, pois a prática pode ocasionar uma série de riscos à saúde. “Intoxicação medicamentosa e dependência aos fármacos é um assunto que deve ser muito debatido, até para que a presença do profissional farmacêutico no balcão das farmácias seja ainda mais valorizada”, afirma. Segundo ele, embora a venda sem prescrição tenha crescido bastante, a demanda por medicamentos prescritos continua alta: “Recebemos muitos receituários médicos, desde tratamentos mais complexos e contínuos até os tratamentos simples, como uma contusão.”
Questionado sobre o projeto de lei que propõe a venda de medicamentos em supermercados — o PL 2158/2023, no Senado, e o PL 1774/2019, na Câmara dos Deputados —, Freitas tem um posicionamento claro: “Não sou a favor de medicamentos serem vendidos fora de uma farmácia ou drogaria, pois acredito que quando falamos de medicamentos, falamos de saúde. E para isso, precisamos de um ambiente de saúde”.
O farmacêutico menciona que acompanha os modelos adotados em outros países, como os Estados Unidos, onde a venda também ocorre em mercados, mas espera que o Brasil não siga o mesmo caminho. “A minha opinião é que, independentemente do local onde o medicamento é comercializado, deve haver um profissional farmacêutico para orientar e acompanhar essa dispensação”, ressalta.
Enquanto o debate avança no Congresso Nacional, em todo o Brasil os farmacêuticos seguem na linha de frente, orientando sobre o uso correto dos medicamentos, explicando os efeitos colaterais, prevenindo riscos – e, acima de tudo, ouvindo os pacientes, acolhendo suas dúvidas e fazendo o possível para garantir segurança e cuidado no tratamento.
Leia mais: Medicamentos isentos de prescrição: qual o papel do paciente na automedicação?
Referências:
https://agenciasebrae.com.br/wp-content/uploads/2023/08/farmacias-ago-2023.pdf
Entrevistado – https://www.instagram.com/gabrie7oliveira/