Você já parou para pensar no que garante que aquele remédio para dor de cabeça esteja disponível na farmácia quando você precisa? A resposta envolve muito mais do que a orientação do farmacêutico na escolha dos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs).
A disponibilidade dos medicamentos é resultado de um trabalho fundamental: a gestão de estoque. Esse processo é essencial para que farmácias e hospitais consigam atender à demanda dos pacientes com eficiência, evitando tanto a falta quanto o desperdício de produtos.
Pensando nisso, as farmácias públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) passaram a disponibilizar online a situação de seus estoques, conforme determina a Lei nº 14.654/23. Essa legislação complementa a Lei nº 8.080, de 1990 (Lei Orgânica da Saúde), e permite que a população consulte a disponibilidade dos medicamentos. A atualização dos dados deve ocorrer ao menos a cada 15 dias, garantindo mais transparência e reduzindo desperdícios, como a perda de medicamentos vencidos.
A medida também evita deslocamentos desnecessários — já que é possível verificar os estoques antes de sair de casa —, ajuda a prevenir desvios e fraudes e, principalmente, contribui para evitar o desabastecimento. Lembra a situação citada no início? Ninguém quer ir à farmácia com febre e descobrir que não há antitérmico disponível. É por isso que, além do controle de estoque, outras estratégias são essenciais para manter o atendimento eficiente e garantir o acesso da população aos medicamentos.

Controle e planejamento: farmácia eficiente não é sorte, é gestão
Ao entrar em uma farmácia, o consumidor espera encontrar um ambiente confiável, com produtos seguros. E isso não acontece por acaso. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), existe uma lei federal que determina que medicamentos só podem ser comercializados em farmácias e drogarias. Esses estabelecimentos são considerados unidades de saúde e devem ter um farmacêutico como responsável técnico, além de autorização da Vigilância Sanitária e do Conselho de Farmácia.
Ou seja, o trabalho do farmacêutico vai além da orientação ao cliente: ele também participa do controle rigoroso do estoque, garantindo que os medicamentos estejam sempre disponíveis, especialmente os de uso contínuo e os essenciais para a saúde da população.
Manter um estoque bem planejado significa oferecer segurança, qualidade e acesso. Isso inclui verificar as condições de armazenamento, conferir prazos de validade e prever a demanda com base em fatores como a sazonalidade — afinal, alguns medicamentos são mais procurados em certas épocas do ano. Três perguntas ajudam a organizar esse controle com eficiência: Quanto comprar? Para quanto tempo? Quando comprar?
Cada farmácia precisa se planejar com base nessas questões para atender à grande demanda de forma segura. E esse desafio é imenso: apenas as redes credenciadas à Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) comercializam mais de 3,29 bilhões de unidades de medicamentos por ano — o que equivale a cerca de 9 milhões por dia — em mais de 10 mil farmácias espalhadas pelo país.
Leia mais: Entenda por que a adesão ao tratamento é tão importante quanto o medicamento receitado
Referências:
https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-14.654-de-23-de-agosto-de-2023-505128012
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
https://www.abradilan.com.br/mercado/abrafarma-cria-manual-para-distribuicao-de-medicamentos/