No dia 5 de maio, o Brasil celebrou o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos — uma data dedicada a um tema essencial: 89% dos brasileiros se automedicam, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ). Mas, afinal, por que é tão importante fazer uso racional de medicamentos? Qual a diferença entre tomar o remédio certo, na dose certa, pelo tempo certo — e sempre com orientação profissional?
A resposta envolve dados, estudos e muita informação. Segundo a Cartilha para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos, do Ministério da Saúde, “qualquer que seja a doença, de longa duração ou passageira, o tratamento deve ser bem entendido pelo paciente, seu familiar ou cuidador, e seguido com rigor até o final, de acordo com a receita e as orientações recebidas”. Na prática, porém, isso nem sempre acontece.
O Manual de Orientações do Uso Racional de Medicamentos, elaborado pela Unimed, lista os principais riscos de tomar medicamentos por conta própria, sem diagnóstico nem orientação profissional. Veja alguns deles:
- Intoxicação: o uso incorreto pode causar desde a ineficácia do tratamento até overdose da substância;
- Interação medicamentosa: remédios tomados sem orientação podem interagir com outros medicamentos ou alimentos, provocando reações adversas;
- Alívio temporário de sintomas, que pode mascarar o diagnóstico de doenças graves;
- Reações alérgicas;
- Resistência medicamentosa, especialmente no caso de antibióticos usados de forma indiscriminada;
- Acúmulo de medicamentos em casa, aumentando o risco de confusão entre os produtos, ingestão de substâncias vencidas e ineficácia por armazenamento inadequado.
Quer entender melhor os riscos da automedicação? Clique aqui e assista ao vídeo do Dr. Drauzio Varella, médico cancerologista e escritor, publicado em seu canal.
Tratamento responsável: um pilar para a saúde global
Desde 1985, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o uso racional de medicamentos acontece quando “os pacientes recebem os medicamentos apropriados à sua condição clínica, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período de tempo adequado e ao menor custo possível para si e para a comunidade”.
Mais do que um cuidado individual, essa prática é fundamental para os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, pois está diretamente ligada à promoção da saúde e à redução de desigualdades no acesso a tratamentos eficazes.
Outra cartilha sobre o tema, publicada pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), reforça a importância de conversar com o farmacêutico e tirar todas as dúvidas. Algumas perguntas importantes são:
“Qual é a dose correta? Quantas vezes ao dia? Por quanto tempo? Em quais horários? Deve ser usado antes ou depois das refeições? Como armazenar o medicamento? Quais os possíveis efeitos colaterais e como evitá-los? O que fazer em caso de dose exagerada?”
Também é importante entender que cada organismo reage de forma diferente. Mesmo que amigos ou parentes tenham apresentado sintomas parecidos com os seus, não use o mesmo medicamento sem orientação médica. A automedicação, nesses casos, pode agravar ainda mais o problema.