Enquanto a discussão sobre a liberação da venda de medicamentos fora das farmácias segue em pauta no Congresso, a população brasileira mostra desconfiança em relação à proposta. Uma pesquisa do Instituto QualiBest revela que 56% dos entrevistados acreditam que permitir a venda de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) em supermercados pode colocar em risco a saúde de crianças e adolescentes.
O levantamento ouviu mais de 3 mil pessoas, com 18 anos ou mais, de diferentes classes sociais, entre os dias 23 e 29 de maio de 2025. Entre as mulheres, esse percentual sobe para 59% — reflexo do papel tradicionalmente assumido por elas no cuidado com os filhos.
Outro dado que chama a atenção é que 61% dos participantes acreditam que os supermercados estão mais interessados em aumentar seus lucros do que em promover a saúde da população ao defenderem a liberação da venda desses medicamentos.
Encomendada pela Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a pesquisa também investigou os hábitos e percepções sobre o uso de medicamentos sem receita: segurança, efeitos indesejados, papel do farmacêutico na orientação, acesso às farmácias e confiança na venda desses produtos fora do ambiente farmacêutico.
Os resultados ajudam a jogar luz sobre a opinião pública em relação ao Projeto de Lei 1774/2019, em discussão na Câmara dos Deputados, e ao PL 2158/2023, em análise no Senado. Inclusive, o tema foi debatido recentemente em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.
Durante a reunião, o representante da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Cacito Esteves, afirmou que exigir a presença de farmacêuticos em todos os estabelecimentos que vendem medicamentos seria inviável. Já o CEO da Abrafarma, Sérgio Barreto, destacou que o número de farmácias no Brasil é o dobro do total de Unidades Básicas de Saúde, o que, segundo ele, elimina a necessidade de ampliar os pontos de venda de remédios. Para saber mais sobre a audiência pública, clique aqui.
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