O Brasil tem mais de 90 mil farmácias espalhadas por seu território. Imagine só o que aconteceria se elas fossem integradas às 44 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS). Essa foi uma das reflexões do médico oncologista Drauzio Varella durante o Abrafarma Future Trends, o maior evento do varejo farmacêutico na América Latina e um dos maiores do mundo. “Não tem sentido as farmácias não estarem integradas ao SUS”, disse o especialista.
Conforme o dr. Drauzio, as farmácias poderiam ser utilizadas complementarmente, não para substituir, mas de forma complementar com o Sistema Único de Saúde. “Nós, dessa forma, conseguiríamos reforçar muito a atenção básica à saúde”, reforçou. Para exemplificar, ele pontuou que a farmácia já é o ponto de contato, o local onde as pessoas vão não apenas para comprar os medicamentos, mas também quando precisam dar continuidade ao tratamento, tirar dúvidas e serem orientadas.
Além desse papel de apoio ao paciente e aliada na promoção da saúde, as farmácias poderiam contribuir para desafogar a sobrecarga do SUS, atendendo parte da demanda por atendimento e prevenção. Os dados comprovam o raciocínio. Conforme um estudo do Instituto Locomotiva, divulgado no começo de 2025, 94% dos brasileiros da classe C concordam com a seguinte frase: “O tempo de espera para a marcação e realização de consultas e exames no SUS coloca em risco a vida de muitos brasileiros”.
O que aconteceria, portanto, se essas pessoas pudessem contar com as mais de 90 mil farmácias em todos os cantos do país? Desde 2014, com a publicação da lei 13.021, a assistência farmacêutica é definida como o conjunto de ações e de serviços que visem assegurar a assistência terapêutica integral e a promoção, a proteção e a recuperação da saúde. Mas a proposta seria ampliar o acesso da população a serviços básicos de saúde, consolidando as farmácias não apenas como pontos de venda de medicamentos, mas como locais de prevenção e acompanhamento contínuo.
Como incorporar novos serviços nas farmácias?
Seja pelo aumento de testes rápidos para diagnóstico de doenças, na aplicação de vacinas ou na incorporação de novos serviços e tecnologias, a farmácia pode se tornar uma grande aliada na promoção da saúde. Mas para isso as mudanças precisam acontecer primeiro no papel. Isso porque a Lei nº 5.991/73 e o Decreto nº 20.931/32 afirmam: farmácias não podem funcionar como locais de prestação de serviços médicos, como consultas de telemedicina. Uma decisão que impede a sugestão de especialistas, como Drauzio Varella, de aliviar o sistema de saúde ao ampliar o cuidado oferecido nas farmácias para toda a população.
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Referências:
https://abrafarmafuturetrends.com.br/
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d20931.htm