Farmácias se fortalecem como aliadas na ampliação da imunização

Segundo pesquisa, o tema, discutido no Abrafarma Future Trends 2025, pode contribuir para o avanço da saúde pública

Embora seja uma das estratégias mais eficazes de saúde pública, a vacinação apresenta quedas históricas no Brasil. Os resultados podem ser associados ao aumento das informações falsas e à resistência a programas de imunização. Frente a isso, nunca foi tão necessário pensar em soluções para estimular a retomada dessa proteção. Uma das medidas, inclusive discutida no Abrafarma Future Trends 2025, seria utilizar as farmácias como aliadas na ampliação da imunização. 

O painel “RNDS – A Capilaridade da Farmácia e Ampliação do seu Papel Social na Imunização”, por exemplo, trouxe a reflexão de como a grande presença das farmácias pelo Brasil pode ajudar a ampliar o acesso à vacinação, melhorar o registro das doses aplicadas e apoiar o sistema de saúde pública. Para aprofundar o assunto, o portal Movidos pela Saúde entrou em contato com Éder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas não obteve respostas do Ministério da Saúde até o fechamento desta matéria.  

Conforme o artigo “A influência da atuação do farmacêutico na melhoria da adesão à imunização”, publicado em 2024 no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, a atuação do farmacêutico tem impacto direto na ampliação da cobertura vacinal. “Os resultados mostraram que a intervenção farmacêutica, seja por meio de aconselhamento, aplicação de vacinas ou educação em saúde, teve um impacto positivo no aumento das taxas de imunização”, diz o texto. 

Por que a pauta preocupa? 

As coberturas vacinais em geral vêm diminuindo, mas a preocupação é maior com o público infantil: desde 2015, os índices nesta faixa etária apresentaram queda expressiva, segundo o Anuário VacinaBR 2025. A pesquisa foi elaborada pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em 2023, por exemplo, menos de um terço dos municípios brasileiros conseguiu cumprir a meta de cobertura para os quatro imunizantes mais importantes: pentavalente, poliomielite, pneumocócica 10-valente e tríplice viral.

Essas vacinas fazem parte do calendário nacional de vacinação infantil e são oferecidas nas unidades básicas de saúde, mas também podem ser encontradas em clínicas particulares e em farmácias. Neste último caso, além da aplicação, as farmácias podem ser locais de fácil acesso a informações seguras. Afinal, o farmacêutico está apto a esclarecer dúvidas e incentivar campanhas, um papel fundamental no combate à desinformação. 

A atuação farmacêutica torna-se ainda mais relevante diante do atual cenário epidemiológico: surtos de sarampo, febre amarela e meningite estão sendo registrados ao redor do mundo. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), “as vacinas salvaram cerca de 150 milhões de vidas nos últimos 50 anos, mas esse progresso está agora ameaçado”. Neste cenário, fortalecer a vacinação com o apoio das farmácias é ampliar o cuidado, mas também ajudar na preservação de décadas de conquistas em saúde. 

Leia mais: “Não tem sentido as farmácias não estarem integradas ao SUS”, diz Drauzio Varella

Referências:  

https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/4370  

https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/brasil-vive-crise-prolongada-na-vacinacao-infantil-apesar-de-melhora-em-2023-mostra-anuario-vacinabr  

https://news.un.org/pt/story/2025/04/1847721 

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