Em tempos de Inteligência Artificial, recorrer à internet quando um sintoma aparece se tornou ainda mais comum. De acordo com o Google, uma em cada 20 buscas no mecanismo é relacionada à saúde. Mas o aumento nas pesquisas por sintomas não se limita ao buscador tradicional. Plataformas de IA, como o ChatGPT, também registram alta demanda por perguntas sobre saúde, ansiedade e interpretação de sinais físicos. Segundo a própria OpenAI, sintomas como palpitações, falta de ar, cansaço extremo e insônia são frequentemente mencionados nas interações com inteligências artificiais.
Diante desses dados, fica a pergunta: você costuma pesquisar sintomas na internet? Esse comportamento pode ser um sinal de cibercondria.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), principal manual de psiquiatria, a cibercondria é uma preocupação crescente. A condição se caracteriza pelo uso excessivo da internet para pesquisar doenças que a pessoa acredita ter. O problema se agrava quando o “hipocondríaco digital” tira conclusões precipitadas com base em informações incompletas ou imprecisas. Esse comportamento pode aumentar a ansiedade e até gerar sintomas físicos associados à doença imaginada. O maior risco, no entanto, está na automedicação sem orientação profissional.
Cibercondria: o caminho para a automedicação
Pessoas com hipocondria costumam desconfiar de diagnósticos médicos e buscar alternativas por conta própria — o que inclui o uso de medicamentos sem prescrição. De acordo com um relatório do Conselho Federal de Farmácia, o consumo excessivo de remédios muitas vezes é uma tentativa de tratar ou prevenir doenças que a pessoa acredita ter.
O documento destaca ainda que a preocupação exagerada com a saúde costuma vir acompanhada de comportamentos compulsivos: a pessoa pode, por exemplo, verificar repetidamente o corpo em busca de provas de doença, tomar repetidamente medicamentos, gastar muito tempo à procura de informações sobre a doença temida ou mesmo marcar múltiplas consultas médicas.
Esse padrão aumenta consideravelmente o risco de reações adversas, interações medicamentosas, erros na administração e até intoxicações, já que, de acordo com o relatório, o hipocondríaco tende a consumir uma quantidade maior de remédios sem orientação.
Quer saber mais sobre os riscos da automedicação? Leia também: Interação medicamentosa: quais os riscos de consumir diferentes remédios ao mesmo tempo?
Confira os sinais e veja se você se identifica
- Busca constante por sintomas e diagnósticos na internet;
- Ansiedade ou preocupação aumentadas após as pesquisas;
- Desconfiança em relação à avaliação médica;
- Autodiagnóstico frequente;
- Uso de medicamentos sem orientação profissional;
- Preocupações com a saúde interferindo na rotina e no bem-estar.
Informação ajuda, mas o excesso pode prejudicar
Buscar informações sobre saúde é natural — e, muitas vezes, necessário. O problema começa quando essa busca se torna excessiva, causa ansiedade e leva a atitudes arriscadas, como a automedicação. Por isso, é importante estabelecer limites, priorizar fontes confiáveis e lembrar que a internet não substitui uma avaliação médica. Informação salva, mas o excesso pode adoecer.
Quando a dúvida persistir e a ansiedade tomar conta, talvez a melhor decisão seja fechar a aba do navegador — e ouvir quem realmente pode ajudar.
Leia mais: Remédio não é bala: os perigos do uso frequente dos MIPs sem prescrição
Referências:
https://admin.cff.org.br/src/uploads/publicacao/arquivo/aed0fdefedec223e2f1aad2f6b03bca1489d99b7.pdf
https://australia.googleblog.com/2017/02/a-remedy-for-your-health-related.html
https://viverbem.unimedbh.com.br/prevencao-e-controle/hipocondria-e-cibercondria/