Entenda porque a adesão ao tratamento é tão importante quanto o medicamento receitado

Pesquisas mostram o quanto respeitar a indicação médica é um fator fundamental para o controle das doenças e a promoção da saúde global

Imagine o seguinte cenário. Você sentiu dor de garganta, administrou por conta própria o medicamento resgatado do fundo da gaveta, mas não sentiu melhora. Então, você procurou um especialista, que diagnosticou um quadro de laringite. Ele então receitou uma série de remédios, incluindo analgésicos e corticoides.

A orientação descrita no papel é clara: você deverá ingerir as doses indicadas por determinados dias. Mas depois de 48 horas os sintomas se reduzem e seu cérebro começa a questionar a necessidade de permanecer com o tratamento.

Essa situação hipotética é um exemplo comum na casa de tantos brasileiros que, mesmo com a orientação médica, resolvem interromper o cuidado e abandonar medicamentos. “Por que tanto remédio?”, começam a se perguntar. Outros são desencorajados pelo preço investido ou até mesmo pelos efeitos colaterais que esses fármacos podem causar. Mas a verdade é que, independentemente do motivo, muitos tratamentos não são concluídos em todo o país, já que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a não adesão aos tratamentos a longo prazo na população em geral está em torno de 50%.

O cenário não é novidade, de acordo a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM) realizada entre 2013 e 2014. Os dados indicam que a prevalência de baixa adesão ao tratamento farmacológico de doenças crônicas no Brasil foi de 30,8% e apenas 2,6% dos entrevistados foram classificados como aderentes aos tratamentos prescritos. A coleta foi realizada com residentes da zona urbana de todas as idades. Jovens de 20 a 39 anos, moradores do Nordeste e Centro-Oeste, são os que mais abandonam o tratamento pela metade.

De acordo com manuais do Ministério de Saúde, a abordagem para adesão deve ser realizada a partir da realidade do paciente. Ou seja, considerando aspectos éticos, peculiaridades da doença, questões psicológicas, socioeconômicas e culturais. Os documentos disponibilizados também associam o abandono do tratamento à complexidade do regime terapêutico, que inclui o número de doses e de comprimidos que precisam ser ingeridos diariamente, a forma de armazenamento, dificuldade para ingestão e conflito nos horários das doses com a rotina do paciente.

Todos esses fatores indicam como a adesão ao tratamento é tão importante quanto o medicamento receitado. Isso porque a eficácia da medicação só poderá ser alcançada 100% caso o paciente esteja disposto a seguir as regras estipuladas, permitindo que o remédio faça sua parte.
Segundo os especialistas analisados nas pesquisas, fazer isso impacta na saúde física e mental e é fundamental para o controle das doenças e a promoção da saúde global.

No tratamento contínuo, o cuidado deve ser redobrado

Sinais mostram que, depois de um ano, só continuam aderentes ao tratamento com rigor cerca de 12 a 13%.
O número dos que conseguem fazer o tratamento continuamente é pequeno em relação ao total. Mas o que acontece com os outros? “Às vezes o indivíduo começa a tomar a medicação, apresenta resultados e não entende que melhorou porque está tomando os remédios. Você precisa ser convencido que o tratamento é necessário”, explica. Por isso, para o especialista, uma das soluções é ampliar o diálogo entre médicos e pacientes, aumentando a possibilidade de ajustes necessários para a continuidade.

O tratamento medicamentoso contínuo exige ainda mais cuidado, principalmente em casos de hipertensão, depressão e diabetes. Conforme falou Drauzio Varella, médico cancerologista e escritor em seu canal, os remédios devem ser administrados durante o tempo indicado pelo médico e não devem ser abandonados antes do previsto, nem mesmo se os sintomas amenizarem. Segundo ele, essa ação pode impedir o paciente de ficar curado, mas também piorar a condição.

“Você não cura alguém que apresenta pressão alta. É uma pessoa dependente da medicação por muitos e muitos anos. Ninguém gosta de tomar medicamentos para sempre. Existem aqueles que continuam tomando e não falham. Esses, infelizmente, representam a minoria. A maioria das pessoas acaba abandonando o tratamento”, pontua. De acordo com Varella, vários estudos internacio

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Referências:
https://www.scielo.br/j/rsp/a/R8pG5F3d3Qwx5Xz7dt6K6nx/?format=pdf&lang=pt

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sintese_evidencias_politicas_tratamento_medicamentoso.pdf

https://drauziovarella.uol.com.br/videos/por-que-e-perigoso-abandonar-o-tratamento-com-remedios-de-uso-continuo/#:~:text=Isso%20porque%20pode%20ser%20prejudicial,e%20at%C3%A9%20piorar%20da%20condi%C3%A7%C3%A3o.

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